domingo, 22 de novembro de 2015

Brachymyrmex

Brachymyrmex rainha em posição de limpeza. Nesta foto vemos o pequeno pecíolo, e quando o abdômen fica na posição normal, o pecíolo esconde.

Este gênero foi criado em 1868 por Mayr com a única espécie Brachymyrmex patagonicus. O espécime é um dos representantes mais característicos, embora discreto. O gênero tem uma distribuição Neotropical, que vai desde o sul dos Estados Unidos até a Argentina e Chile, incluindo ilhas do Caribe, mas algumas espécies foram introduzidas no Japão, África e Madagascar (Ortiz & Fernandez 2014).

É um grupo de formigas de aparência suave, de pequeno porte (menos de 3,5 mm), reconhecíveis por suas antenas, sem massa definida, de nove segmentos nas operárias e 10 nos machos,  e o pecíolo ocultado pelo gáster em vista dorsal. Atualmente, a antena com 9 segmentos e a falta de massa antenal têm sido propostos para diagnosticar as operárias do gênero. A combinação de tamanho pequeno, metassoma macio, e a morfologia simples fazem as observações e interpretação de características morfológicas difíceis. Essas dificuldades impedem revisões taxonômicas e até levou Creighton (1950) a chamarBrachymyrmex de um "pequeno gênero miserável" (Ortiz & Fernandez 2014). No entanto, 44 espécies e 17 subespécies estão atualmente atribuídas ao gênero Brachymyrmex(Bolton 2014).

As formigas deste gênero habitam folhas da serrapilheira e aninham no subsolo, debaixo de pedras, em madeira podre, e em edifícios urbanos. Moretti et al. (2011), encontrou uma possível associação com a barata Pycnoscelus surinamensis (Blaberoidea: Blaberidae) eBrachymyrmex cordemoyi Forel (1895). Esta associação pode estar apresentando uma tendência de domiciliação. Foi encontrados besouros estafilinídeos em associação comBrachymyrmex modestus em um ninho no Equador. Da mesma forma, algumas das espécies de Brachymyrmex (por exemplo B. patagonicus Mayr 1868) são consideradas, devido ao seu comportamento invasivo, pragas na região sul dos Estados Unidos (MacGown et al. 2007) e, provavelmente, em outros lugares.

Brachymyrmex depillis(á esquerda) e brachymyrmex obscurior(á direita).


A primeira revisão taxonômica completa do gênero Brachymyrmex foi publicada por Santschi (1923) e incluiu 27 espécies e 15 subespécies e variedades. Nessa revisão, Santschi (1923) reconheceu dois subgêneros : 1) Brachymyrmex stricto sensu (incluindo a maioria das espécies) e 2) Bryscha (quatro espécies) (Ortiz & Fernandez 2014). A chave feita por Santschi para identificar as espécies é difícil de usar, contém grandes contradições, e seu valor é limitado devido às vagas definições das espécies e descrições pobres das subespécies e variedades.

Brachymyrmex cordemoyi

Brachymyrmex sensu stricto contém espécies que têm pernas peludas, antenas sem pelos eretos e o segundo segmento do funículo antenal muito mais curto do que o primeiro (= terceiro segmento antenal muito mais curto do que o segundo). Espécies Bryscha têm pernas e antenas com pelos eretos e segundo segmento do funículo antenal é do mesmo tamanho ou maior que o primeiro. Ao contrário de outras espécies do gênero, duas das espécies do subgênero BryschaBrachymyrmex pilipes eBrachymyrmex micromegas, tem operárias dimórficas. A ambiguidade permanece a respeito do status de Bryscha. Brown (1973) sinonimizou ele provisoriamente sobBrachymyrmex e Bolton (1995, 2014) aceitou essa sinonímia em seus catálogos, sem fundamentar a decisão (Ortiz & Fernandez 2014).

Creighton (1950) e Wheeler e Wheeler (1978) forneceram as chaves para identificar as espécies presentes nos Estados Unidos e, mais recentemente, Quirán e colegas (Quirán et al. 2004, Quirán 2005, 2007) e Wild (2007) têm-se centrado exclusivamente na compreensão das espécies Brachymyrmex presentes na Argentina e no Paraguai, respectivamente, com sinônimos e redescrições propostas. Exceto essas contribuições, não há nenhuma revisão moderna, abrangendo todas as espécies deBrachymyrmex.

Poucos estudos foram feitos sobre a filogenia interna da subfamília Formicinae e avaliação da posição de Brachymyrmex dentro da subfamília e grupos relacionados. Bolton (2003), baseado parcialmente em Agosti (1991), propôs o grupo tribo Lasiine para cobrir as tribos Lasiini, Plagiolepidini e Myrmoteratini. A segunda tribo inclui as tribos anteriores Brachymyrmecini e Myrmelachistini como sinônimos. Atualmente, não existem estudos filogenéticos publicados que comprovam ou rejeitam a proposta. Bradyet al. (2000) e Johnson et al. (2003) exploram a filogenia de formicines em torno dos gêneros Camponotus (formigas-carpinteras) eOecophylla (formigas-tecelãs), utilizando marcadores genéticos. O único estudo filogenético recente de um grupo dentro da subfamília Formicinae é de LaPolla et al. (2010), que investigam a filogenia e taxonomia do grupo Prenolepis a partir de dados moleculares. Este estudo não incluiuBrachymyrmex ou seus vizinhos, por isso requer um estudo para explorar a monofilia do gênero e suas relações filogenéticas.

Sobre o gênero Brachymyrmex, Mackay e Vinson (1989) escreveram: "... É impossível identificar até mesmo as espécies descritas neste gênero, sem uma extensa coleção de referência, e muita paciência."


Fonte: Formigas

3 comentários:

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    1. Caro Márcio Dias,eu tomei conhecimento sobre a autoridade dos conhecimentos serem seus a partir das postagens sobre as polyergus, antes eu nem pensava em por a fonte,mas da postagem sobre as polyergus venho colocando a fonte,nessa postagem saiu apenas formigas esqueci de colocar o Brasil, no final,mas nas duas postagens anteriores a fonte está formigas Brasil,desde então,venho pondo as fontes. Desculpe pelo erro!!!

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    2. Caro Márcio Dias,eu tomei conhecimento sobre a autoridade dos conhecimentos serem seus a partir das postagens sobre as polyergus, antes eu nem pensava em por a fonte,mas da postagem sobre as polyergus venho colocando a fonte,nessa postagem saiu apenas formigas esqueci de colocar o Brasil, no final,mas nas duas postagens anteriores a fonte está formigas Brasil,desde então,venho pondo as fontes. Desculpe pelo erro!!!

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